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A corrida aos bancos e o controlo de capitais na Grécia

A "corrida aos bancos" vista pelas redes sociais

A partir de sexta-feira, os media gregos e internacionais intensificaram a campanha para gerar o medo e a insegurança dos depositantes gregos, criando as condições para a corrida aos multibancos.


Foi no início da semana passada que os media internacionais começaram a “acampar” em frente aos multibancos de Atenas com notícias a preparar o clima para a corrida aos bancos. O anúncio do referendo na sexta-feira à noite intensificou o alarmismo dos noticiários e este começou a dar frutos na manhã de sábado, quando finalmente puderam filmar dezenas de pessoas em filas nalgumas caixas multibanco. As imagens foram repetidas incessantemente até provocarem o fenómeno de imitação que acabou por esgotar o dinheiro armazenado em muitas caixas para o fim de semana. Nas redes sociais, também não faltaram imagens a ridicularizar esta campanha.

(Pede-se aos noctívagos que acorrem de pijama aos ATM o favor de respeitarem o sono dos sem-abrigo que dormem)

Primeiro-ministro francês diz que BCE não pode cortar financiamento à banca grega

O Banco Central Europeu decidiu este domingo não aumentar o teto de liquidez de emergência aos bancos gregos, dizendo estar pronto a rever essa decisão quando necessário. Com o ultimato do Eurogrupo, a partir de 30 de junho a Grécia deixa de ter o suporte financeiro previsto no acordo vigente, o que significa não pagar as prestações de junho do reembolso ao FMI, com a liquidez dos bancos gregos a ficar nas mãos de uma entidade não-eleita.

Esta situação inédita está a provocar reações políticas na Europa. Este domingo, o primeio-ministro francês Manuel Valls defendeu que o BCE não pode parar de apoiar os bancos gregos nos próximos dias. “O BCE é independente, mas não tenho dúvidas de que irá assumir as suas responsabilidades”, afirmou o primeiro-ministro francês.

Yanis Varoufakis reúne este domingo o Conselho de Estabilidade do Sistema Financeiro grego para discutir a liquidez do sistema nos próximos dias. O ministro das Finanças insiste que medidas de controlo de capitais são contraditórias numa união monetária como é o euro, mas diz estar disposto a tomá-las caso seja necessário. Essas medidas necessárias para prevenir a fuga de capitais do país podem incluir a suspensão das transferências internacionais e um teto nos levantamentos de depósitos.

A seguir à reunião, quando já circulavam notícias sobre a eventualidade dos bancos e da bolsa não abrirem nos próximos dias, os ministros Varoufakis e Tsakalotos saíram do ministério a pé em direção ao edifício da sede do governo para uma reunião, sendo saudados por vários transeuntes.

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