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Eurocracia entre a “irritação” e a “desilusão” com a Grécia

Martin Schulz, Alexis Tsipras e Jean Claude Juncker. Foto União europeia ©

Há dias foi Martin Schulz, líder do Parlamento Europeu, a dizer num debate televisivo alemão que “os gregos começam a irritar-me”. Hoje foi Juncker a mostrar-se “desiludido” com Tsipras. A razão? Atenas não aceita as exigências entregues pelos credores.

De que lado está a bola das negociações? “Do lado deles”, respondem Atenas e Bruxelas. Este domingo, o presidente da Comissão Europeia quebrou o silêncio na cimeira do G7 na Alemanha para se queixar de não ter recebido uma proposta alternativa à que entregou a Tsipras na noite de quarta-feira. Menos de 48 horas depois, este apelidou-a de “inaceitável” e “absurda” num debate parlamentar convocado para testar o apoio da oposição á proposta.

Nesse debate, Tsipras disse que a proposta de Juncker foi uma “surpresa desagradável”, por não conter as matérias de consenso ao longo dos quatro meses de negociações. Hoje foi Juncker a dizer-se “desiludido” com a reação de Tsipras, acrescentando que a proposta dos credores ainda tinha folga para negociar e não era um ultimato.

Mas apesar de não ver na proposta um ultimato, o presidente da Comissão Europeia fez saber que se recusou a falar com Tsipras este sábado, quando o primeiro-ministro grego manteve os habituais contactos dos últimos dias com Angela Merkel e François Hollande. Juncker justificou a recusa por não ter recebido nenhuma contraproposta às cinco páginas com as exigência dos credores que entregou a Tsipras.

Martin Schulz na TV alemã: “Os gregos começam a irritar-me”

Na quinta-feira à noite, quando já era conhecida a oposição do governo às propostas entregues por Juncker, o presidente do Parlamento Europeu participou num debate televisivo acalorado com um dirigente do Syriza e outros políticos alemães. Schulz, que liderou a bancada do PS europeu em Estrasburgo antes de ser eleito presidente do Parlamento Europeu, disse que a Grécia estava quase obrigada a aceitar o acordo, porque a alternativa seria o “colapso total” do país. Comentando a resistência do governo grego, Schulz afirmou que “os gregos como o sr. Varoufakis começam a irritar-me”.

Com as últimas sondagens a confirmarem o apoio do país ao governo e ao Syriza, a resposta de Atenas este domingo à escalada verbal dos responsáveis pelas principais instituições da UE foi num tom de tranquilidade: “Os negociadores grego não têm por hábito estabelecer prazos finais para as negociações e o governo está preparado para continuar o trabalho de convergência ao nível político”. Tsipras combinou novo encontro com Merkel e Hollande na próxima quarta-feira em Bruxelas.

Por seu lado, fontes do governo declararam este domingo que o “lado grego não tem por hábito estabelecer prazos finais para as negociações e está preparado para continuar o trabalho de convergência ao nível político”. Tsipras combinou novo encontro com Merkel e Hollande na próxima quarta-feira em Bruxelas.

O governo grego lembra que entregouna passada segunda-feira um documento-síntese com 47 páginas que reflete o terreno comum das negociações do Grupo de Bruxelas e que responde tanto à necessidade de reformas como ao tema central da sustentabilidade da dívida grega, assunto quase omisso da proposta dos credores. Até agora não houve declarações oficiais por parte dos credores quanto ao conteúdo deste documento.

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