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“FMI está a tentar pressionar a Grécia e os credores”

Christine Lagarde. Foto União Europeia ©

O governo grego já respondeu às declarações do porta-voz do FMI, que considera uma forma de pressão sobre Berlim.

“A não participação, enquanto tal, do FMI nas negociações políticas não significa mais do que uma pressão sobre toda a gente – a Comissão Europeia, o BCE e a Grécia”, diz a nota oficiosa divulgada por Atenas. O governo grego desvaloriza a saída dos negociadores do FMI, dizendo que as negociações a nível técnico terminaram na semana passada e prosseguem agora a nível político. O próprio FMI esclareceu que regressará à mesa das negociações quando forem retomadas:

“Talvez o FMI acredite que a melhor solução seria receber o dinheiro que deu até hoje e abandonar o programa para a Grécia. É uma pressão em todas as direções – em particular sobre Berlim – com o objetivo de impor políticas duras na Grécia de forma a assegurar o seu dinheiro”, prossegue a nota.

O governo grego diz ainda que Gerry Rice deu dados errados sobre a realidade dos pensionistas gregos, onde a pensão média é de 664.69 euros e o peso das pensões no PIB. Em vez dos 10% apontados pelo porta-voz do FMI (que na realidade são 9%), apenas 4.55% podem ser considerados em termos de comparação com os 3% da Alemanha, uma vez que os restantes 4.45% dizem respeito ao financiamento do défice do sistema de pensões. E no que respeita à idade da reforma, que o funcionário do FMI dizia ser seis anos menor do que na Alemanha, o governo esclarece que no caso dos homens a idade é a mesma (63 anos) e no das mulheres a diferença é de 3 anos (59 na Grécia e 62 na Alemanha).

Na mesma nota, o governo reafirma as condições necessárias para um acordo: redução dos saldos orçamentais primários, inexistência de novos cortes nos salários e pensões, restruturação da dívida e um plano de investimento para a Grécia. E reafirma a vontade de intensificar o diálogo para chegar a um acordo. Esta sexta-feira, a Reuters voltou a citar responsáveis europeus protegidos pelo anonimato a referirem que o “default” grego entrou pela primeira vez nas discussões, bem como a proposta de Atenas de prolongar o empréstimo até março.

Tsipras está reunido esta tarde com o núcleo duro do governo sobre o andamento das negociações. “Enquanto houver apoio do povo grego aos esforços do goveno, iremos apoiar as justas reivindicações do povo para conseguir um acordo que não seja apenas um acordo, mas uma solução que garanta a coesão social, perspetivas de crescimento e resolva os problemas de financiamento a médio prazo, criando condições para a sustentabilidade da dívida”, afirmou Alexis Tsipras ontem à noite na festa de lançamento da ERT, que contou com um concerto à porta da estação pública de televisão que ontem regressou às emissões.

Por seu lado, Yanis Varoufakis voltou a usar o Twitter, desta vez para responder ao presidente do Conselho Europeu, sem nunca o nomear. Donald Tusk disse ontem que é altura da Grécia “parar com os jogos” e Varoufakis responde com um link para um artigo seu publicado em fevereiro no New York Times intitulado “Não é tempo para jogos na Europa”. “Ao contrário dos rumores obstinados, nós nunca jogámos”, afirma Varoufakis.

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