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Governador do Banco da Grécia acusado de lançar o pânico

Jeroen Dijessembloem e Yannis Stournaras. Foto União Europeia ©

Ao dizer que a ausência de acordo implicará a saída grega do euro e da União Europeia, o ex-ministro das Finanças de Samaras quer limitar o poder negocial do governo com os credores, acusa o Syriza. A presidente do parlamento fez questão de lhe devolver a pen em que entregou o relatório anual do Banco da Grécia, considerando-o “inaceitável”.

Na apresentação do relatório anual da política monetária do Banco da Grécia, marcada para o mesmo dia da apresentação das conclusões da auditoria à dívida no parlamento grego, o governador do Banco da Grécia afirmou que a ausência de acordo com os credores significará “o início de um caminho penoso que iria primeiro levar a Grécia à bancarrota e depois à saída do país da zona euro e muito provavelmente da União Europeia”.

Uma “crise incontrolável”, nas palavras do responsável pelo Banco da Grécia, que poucas horas antes fora apontado no mesmo parlamento como um dos responsáveis pela dimensão da atual crise grega, durante a sua passagem pelo governo.

As declarações incendiárias do ex-ministro das Finanças do governo entre 2012 e 2014 tiveram pronta resposta do Syriza: “Com o relatório de hoje, o governador não apenas foi além dos seus poderes institucionais como criou constrangimentos à liberdade de negociar do governo grego. É surpreendente que o faça, quando o papel do Banco da Grécia é assegurar a estabilidade do sistema bancário”, afirmou o partido em comunicado.

Também o ministro de Estado Nikos Pappas reagiu no mesmo tom, ao defender que Stournaras devia limitar-se às suas competências, que implicam neutralidade nas negociações entre o país e os credores. Nas redes sociais, muitos lembraram as responsabilidades de Stournaras na “crise incontrolável” que provocou na Grécia durante o seu mandato de dois anos à frente da pasta das Finanças, antes de ser recompensado por Samaras com o atual cargo que ocupa.

Presidente do Parlamento devolve relatório ao governador

A deputada do Syriza Rachel Makris anunciou que vai processar Stournaras por “perturbação do regime democrático” e “colocar em perigo a estabilidade do sistema financeiro, incitando ao pânico de forma indireta”, quando a função de um governador é justamente fazer o contrário.

“Será possível que o governador do Banco da Grécia ignore que o Tratado da União Europeia não prvê que a saída do euro implique a saída da UE?”, questionou a deputada, que também já foi eleita pelo partido Gregos Independentes. Makris acusa ainda o governador do Banco da Grécia por nada ter feito para travar a saída de depósitos dos bancos gregos desde o fim do ano passado, como ficou claro no relatório hoje apresentado por Stournaras e que Zoe Konstantopoulou fez questão de devolver, afirmando que se trata de um trabalho “inaceitável”.

A presidente do Parlamento sublinhou a falta de colaboração do Banco da Grécia com a Comissão de Auditoria e Verdade sobre a Dívida, invocando sigilo sobre elementos centrais do processo de formação da dívida e dos empréstimos da troika. Zoe Konstantopoulou anunciou que vai pedir as minutas das reuniões do BCE onde Stournaras interveio, e se o fez para defender o interesse dos credores ou os do povo grego.

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