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“Grécia tem o direito de pedir o cancelamento da dívida”

Alexis tsipras e Zoe Konstantopoulou na abertura da sessão de apresentação das conclusões preliminares da auditoria à dívidaAlexis tsipras e Zoe Konstantopoulou na abertura da sessão de apresentação das conclusões preliminares da auditoria à dívida

A presidente do Parlamento grego falou esta manhã no início da apresentação do relatório preliminar da auditoria à dívida, na sessão que contou com a presença do primeiro-ministro Alexis Tsipras, do coordenador técnico da comissão Eric Toussaint e da eurodeputada Sofia Sakorafa. O relatório será apresentado amanhã e conclui que boa parte da dívida é ilegal e não poderá ser paga. Mas o resumo já está publicado.

Zoe Konstantopoulou afirmou que “este governo é o primeiro a não estar ligado à criação ou ao aumento da dívida pública grega” e que à luz do que já foi dito na Comissão de Auditoria e Verdade sobre a Dívida Grega, Atenas “tem o direito a reclamar o cancelamento ou suspensão dos pagamentos que comprometem os direitos do povo e da República”.

A presidente do Parlamento sublinhou que o memorando da troika “não beneficiou, antes vitimizou e legitimou a violação das obrigações do Estado” para com a população grega. A Alemanha foi um alvo das críticas de Zoe Konstantopoulou, por se recusar a pagar as reparações de guerra aos gregos, enquanto o povo grego “se ajoelha para pagar uma dívida que não criou”. E mencionou os inúmeros escândalos de corrupção envolvendo empresas alemãs na Grécia, ou os casos de fuga ao fisco de grandes empresas que utilizam paraísos fiscais como o Luxemburgo.

Zoe Konstantopoulou citou ainda os depoimentos de Phillipe Legrain, ex-conselheiro de Durão Barroso na Comissão, e Panagiotis Roumeliotis (ex-representante da Grécia no FMI), que garantiram que os “resgates à Grécia” não foram mais que resgates aos bancos alemães e franceses, que se livraram das obrigações de dívida grega para as mãos dos credores oficiais da troika.

Por último, a presidente do Parlamento não esqueceu que esses dados foram “deliberadamente ocultados” pelos credores, através de campanhas de desinformação que envolveram seminários destinados a jornalistas gregos, para que pudessem passar a mensagem de que a dívida grega era sustentável e os resgates seriam uma “ajuda” ao país, como denunciou o ex-representante grego no FMI.

Esta quarta-feira, o vice-ministro de Estado Terence Kouik, dos Gregos Independentes, anunciou que irá pedir à diretora-geral do FMI Christine Lagarde o nome dos jornalistas que participaram nas “ações de formação” promovidas pelo FMI em 2010, com o objetivo de fazerem uma “lavagem cerebral” ao povo grego. Kouik quer saber quanto dinheiro receberam os jornalistas pela participação nesses “seminários” e como foram escolhidos pelo FMI. O vice-ministro diz ainda estranhar o silêncio total dos grandes media gregos e do regulador da comunicação social sobre as denúncias destas sessões do FMI.

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