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Tsipras: “Apoio popular é a maior arma nas negociações”

Alexis Tsipras. Foto Stéphane Burlot. Licença Creative Commons - Atribuição, Não Modificar - Uso Não Comercial)

Na véspera de novo encontro em Bruxelas com Merkel e Hollande, o primeiro-ministro grego diz que apresentou propostas alternativas às “exigências inaceitáveis” dos credores. E insiste que só uma solução para a dívida poderá terminar com a “horrível discussão do Grexit”.

No encontro desta quarta-feira, à margem da cimeira europeia com a Comunidade de Estados da América Latina e Caribenhos, Tsipras prevê que se avalie o caminho percorrido e se defina um calendário para alcançar um acordo, agora que as negociações entraram numa “fase crucial”. O diário Avgi diz que a intervenção de Tsipras no Secretariado Político do Syriza  serviu para apelar à unidade e informar sobre o estado das negociações. Afastando o cenário de eleições antecipadas, muitas vezes veiculado pela imprensa internacional mas dificilmente realizável à luz da Constituição grega, Tsipras afirmou que neste momento o apoio popular é a maior arma do governo das negociações, numa altura em que o Syriza atinge mais de 45% nas sondagens e a popularidade de Tsipras ronda os 70%.

“Só faz sentido negociar se houver solução para a dívida”

“Apresentámos um texto completo, refletindo os pontos em comum nas negociações técnicas do Grupo de Bruxelas. Estamos a trabalhar para vencer as diferenças sobre as contas públicas, com propostas alternativas nos casos em que as exigências são irracionais e inaceitáveis”, explicou Tsipras numa entrevista publicada no diário italiano Corriere della Sera, referindo-se às propostas entregues na terça-feira.

“Porém, tudo isto só fará sentido se as instituições estiverem dispostas a encontrar soluções sérias para a sustentabilidade da dívida. Queremos acabar de uma vez por todas com este debate horrível sobre o Grexit, que nos últimos anos tem sido um travão à estabilidade económica da Europa. Não podemos voltar ao mesmo problema a cada semestre”, defendeu o primeiro-ministro da Grécia.

“Creio que estamos muito perto de um acordo quanto às metas dos saldos orçamentais primários para os próximos anos”, prosseguiu Tsipras, revelando que as medidas alternativas enviadas por Atenas são para substituir os cortes nas pensões e outras medidas recessivas: “O nosso objetivo são medidas que tenham um cariz redistributivo e de justiça social”.

Tsipras rejeita “comparações infelizes” entre memorandos português, irlandês e grego

Questionado sobre a razão de querer um tratamento diferente para a Grécia do que o que tiveram os outros países sob tutela da troika, Alexis Tsipras respondeu que essas comparações são infelizes. “A diferença é que na Grécia a austeridade foi aplicada com uma brutalidade nunca vista e trouxe consigo consequências económicas e sociais desastrosas”, afirmou o líder do Syriza, concluindo que “basta olhar para os programas aplicados em Portugal e na Irlanda para perceber que essas comparações são infelizes: ninguém sofreu tanto como a Grécia”.

Também à margem da cimeira UE/CELAC, Alexis Tsipras vai manter encontros com chefes de Estado como Dilma Roussef, Evo Morales, Michele Bachelet, Rafael Correa, o vice-presidente cubano Miguel Dias-Canel e o ministro dos Negócios Estrangeiros argentino Héctor Timerman.

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