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Tsipras explica aos alemães que não estão a pagar pensões aos gregos

Alexis Tsipras. Foto Stéphane Burlot. Licença Creative Commons - Atribuição, Não Modificar - Uso Não Comercial)

Num artigo hoje publicado no diário alemão Der Tagesspiegel, Alexis Tsipras desmonta o mito bem presente na opinião pública alemã de que são os contribuintes alemães que pagam as reformas dos gregos e que estes se reformam muito antes dos alemães.

Comparando os números da despesa com pensões da Grécia e Alemanha, Tsipras mostra que em 2007 a percentagem dessa despesa no PIB dos dois países era muito semelhante: 11.7% na Grécia e 10.4% na Alemanha. A subida da despesa total em proporção do PIB, que chegou aos 16.2% em 2013, tem uma explicação simples, acrescenta Alexis Tsipras: “Será que se ficou a dever ao aumento de pensionistas ou ao aumento do valor das pensões? A resposta é: nada disso. O número de pensionistas manteve-se e o valor das pensões diminuiu drasticamente por causa das políticas implementadas”.

“A aritmética simples basta para chegar à conclusão que o aumento da despesa com pensões em percentagem do PIB se deve inteiramente à queda do PIB (o denominador) e não ao aumento da destesa (o numerador). Por outras palavras o PIB diminuiu ainda mais do que as pensões”, explica o primeiro-ministro grego aos leitores alemães.

Quanto à idade de reforma dos gregos, que os alemães julgam ser muito precoce, Tsipras diz que na lei em vigor é superior em dois anos à dos alemães. “A idade média de saída do mercado de trabalho para os homens na Grécia é de 64.4 anos, ou seja oito meses antes dos 65.1 anos na Alemanha, enquanto as mulheres gregas se reformam aos 64.5, três meses e meio mais tarde do que as alemãs, que se reformam aos 64.2 anos”, prossegue Tsipras, sublinhando que não quer com estes dados escamotear as falhas do sistema de segurança social grego, mas apenas provar que “o problema não é o das pensões supostamente generosas”.

As dificuldades do sistema de pensões gregos estão também relacionados com as perdas do haircut da dívida que afetaram os fundos de pensões, poupando os bancos privados, totalizando um saque de 25 mil milhões ao dinheiro desses fundos. E ao desemprego galopante e aos cortes salariais que provocaram uma abrupta perda de receitas nos últimos anos, destaca o primeiro-ministro grego.

Com cortes nas pensões e subsídios a rondarem os 50% nos últimos anos, é impossível pedirem que a Grécia aceite novos cortes nas pensões, defende Alexis Tsipras, que termina o texto apresentando a sua reforma para reorganizar a segurança social grega, abolindo a opção pela reforma antecipada e consolidando os diversos fundos de pensões.

“Como em todas as reformas, os resultados não vão aparecer de um dia para o outro. A sustentabilidade requer um horizonte de longo prazo e não pode ser sujeita a medidas com critérios orçamentais de curto prazo”, como a que os credores exigem para cortar já no próximo ano 1% do PIB nas pensões gregas.

“Benjamin Disraeli costumava dizer que há três tipos de mentiras: as mentiras, as mentiras decaradas e as estatísticas. Não deixemos que se façam leituras obsessivo-compulsivas dos índices para destruir o acordo alargado que preparámos neste período de intensas negociações. Esse é o nosso dever. O dever de todos nós”, conclui o artigo de Alexis Tsipras, que também pode ser lido em inglês.

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