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Bruxelas: “Preparados para o Grexit, não para discutir dívida”

Juncker e Tusk. Foto União Europeia ©

O líder da Comissão Europeia abriu a porta à saída da Grécia da zona euro no próximo domingo, dizendo que Bruxelas preparou “cenários muito pormenorizados” que incluem o Grexit. Mas quanto à restruturação da dívida, Jean-Claude Juncker diz que os credores só estarão preparados para a discutir em outubro.

São três os “cenários pormenorizados” enunciados por Juncker após a cimeira de terça-feira: o de saída da Grécia do euro, o de permanência com a nova dose de austeridade proposta pelos credores, e um cenário de “ajuda humanitária” à Grécia, por parte das mesmas instituições que hoje insistem em medidas como o corte do suplemento aos pensionistas gregos mais pobres.

“Eu sou totalmente contrário ao Grexit”, acrescentou Juncker, “mas não poderei evitá-lo se a ação do governo grego não corresponder às nossas expetativas”.

Segundo o Financial Times, Mario Draghi informou os presentes na cimeira que os bancos gregos dispõem de dinheiro até ao fim desta semana, e que o BCE não irá assegurar a liquidez se não houver acordo no domingo.

Por seu lado, Angela Merkel defendeu um programa com duração de dois ou mais anos, que inclua medidas que respondam também aos danos sofridos pela economia por causa do estrangulamento da liquidez aos bancos gregos nos últimos dez dias.

Angela Merkel diz que aguarda para ver as propostas de Atenas o mais tardar até quinta-feira, para depois poder obter luz verde do parlamento alemão para negociar esse programa.

Alguns jornalistas notaram a discrepância nas declarações de Merkel e Juncker quanto ao prazo para a Grécia apresentar a sua proposta: a chanceler alemã disse que é até quinta, como está nas conclusões da cimeira, mas o presidente da Comissão enganou-se e falou em sexta-feira.

Donald Tusk: “Todos somos responsáveis por esta crise e todos temos a responsabilidade de a resolver”

O presidente do Conselho Europeu apresentou as conclusões da reunião: todos concordaram em assegurar a estabilidade da zona euro, examinar a proposta grega que será entregue até quinta-feira, para procurar um acordo até à reunião do próximo domingo.

“Todos somos responsáveis por esta crise e todos temos a responsabilidade de a resolver”, afirmou Tusk, lembrando que “só temos cinco dias para encontrar um acordo”. O líder do Conselho e primeiro-ministro da Polónia disse que a cimeira de domingo será com os 28 governos da União Europeia, que está a viver “o momento mais crítico da sua história”.

E caso não haja acordo, prossegue Tusk, isso não afetará apenas a Grécia, com a insolvência do sistema bancário. “Não tenho dúvidas que isto afetará toda a Europa também no sentido geopolítico. E quem tenha ilusões de que não será assim, é ingénuo”, concluiu.

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