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Gregos já decidem o seu futuro, Schulz lança ameaça final

Alexis Tsipras vota no referendo de 5 de julho

As urnas de voto fecham às 17h (hora portuguesa) e os primeiros resultados devem ser divulgados duas horas depois. Tsipras e Varoufakis foram saudados pelos eleitores nas assembleias de voto e o socialista alemão Martin Schulz diz que se o ’Não’ ganhar, os gregos terão de imprimir a sua moeda própria.

“Deve a proposta de acordo apresentada pela Comisão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional ao Eurogrupo no dia 25 de junho, composta por duas partes que fazem a proposta conjunta, ser aceite?”. Esta é a pergunta a que milhões de gregos estão hoje a responder. Para que o resultado seja vinculativo, a participação terá de superar os 40% do eleitorado.

A ameaça de última hora surgiu na manhã do referendo pela voz do presidente do Parlamento Europeu. Numa entrevista emitida este domingo numa rádio alemã, Martin Schulz afirmou que “se os gregos disserem não no referendo terão de introduzir outra moeda, porque o euro não está disponível como meio de pagamento”. “A partir do momento em que alguém introduz uma nova moeda, sai da zona euro. São estes aspetos que me dão alguma esperança que as pessoas não irão hoje votar no ’Não’”, afirmou o dirigente do SPD e ex-candidato dos socialistas europeus à presidência da Comissão Europeia.

À chegada à Assembleia de voto, Alexis Tsipras foi saudado pelos presentes e afirmou que “Hoje a democracia venceu o medo”. “Muitos podem ignorar a vontade de um governo. Mas ninguém pode ignorar a vontade de um povo”, disse aos jornalistas o primeiro-ministro grego.

Dizendo-se “muito otimista, Tsipras acrescentou: “Estou certo de que a partir de amanhã teremos aberto um caminho para os povos europeus. Um caminho de regresso aos valores fundadores da democracia e solidariedade na Europa, com uma mensagem forte de determinação, não apenas de ficar mas de viver com dignidade na Europa”.

Também Varoufakis foi recebido com aplausos na sua assembleia de voto, onde os jornalistaso esperavam. “Os enormes fracassos do Eurogrupo levaram a ultimatos sem que a opinião dos gregos pudesse ser ouvida. Hoje, após cinco anos desses fracassos e erros, o povo grego tem a oportunidade de decidir no último ultimato do Eurogrupo, das instituições, dos nossos parceiros. Isto é um momento sagrado, um momento de esperança para toda a Europa. É um momento que dá esperança à Europa de que uma moeda comum pode coexistir com a democracia”, afirmou o ministro das Finanças.

O presidente da República Prokopis Pavlopoulos também foi votar a aproveitou para apelar à unidade dos gregos após o referendo. “Este dia pertence apenas aos cidadãos. Eles são chamados a decidir, de acordo com a sua consciência e guiados exclusivamente pelo interesse nacional, sobre o futuro do nosso país e do nosso povo”, afirmou Pavlopoulos, recordando a obrigação “de trilhar o caminho difícil a partir amanhã com unidade absoluta”, qualquer que seja o resultado.

O líder da Nova Democracia e ex-primeiro-ministro, Antonis Samaras, fez uma curta declaração aos jornalistas a apelar ao voto no “Sim”. “Hoje os gregos decidem o destino do nosso país. Votamos ‘Sim’ à Grécia, ‘Sim’ à Europa”, afirmou Samaras.

O único incidente da manhã envolveu o líder do Potami, apontado como a escolha dos credores para liderar o governo apoiado pela Nova Democracia e Pasok, caso a vitória do “Sim” leve a eleições antecipadas. À saída da assembleia de voto, Stavros Theodorakis ouviu alguns insultos por parte dos apoiantes do ’Não’:

À porta de muitas assembleias de voto também esteve representado o KKE. Os comunistas gregos distribuíram boletins de voto falsos, dizendo ‘Não’ à proposta dos credores e ’Não’ à proposta do governo, procurando convencer quem passava a introduzi-los na urna em vez do boletim de voto válido.

A campanha do referendo foi protagonizada desde o início pelos media privados gregos, que encheram páginas e tempo de emissão com apelos ao voto no “Sim” e imagens para transmitir receio e pânico na população, por vezes manipuladas. No próprio dia da votação, um dos jornalistas do Khatimerini, que também publica no semanário português Expresso, resolveu postar no Twitter o seu voto “Sim”:

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