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Proposta de acordo aprovada com abstenções de peso

Parlamento da Grécia

Por 251 votos a favor, 32 contra, 8 abstenções e 9 ausências, a proposta de acordo do governo grego com os credores foi aprovada pela grande maioria dos deputados. Entre as abstenções contam-se a presidente do Parlamento e os ministros da Energia e da Segurança Social.

A perspetiva de rebelião nos grupos parlamentares que apoiam o governo não se concretizou na votação da proposta de acordo com os credores. Tanto a maioria dos deputados afetos à Plataforma de Esquerda como a bancada dos Gregos Independentes acabaram por votar a favor da proposta de acordo, como pediu Alexis Tsipras no início do debate, evitando desgastar a maioria de que o governo dispõe a um ponto que obrigasse a um voto de confiança.

No grupo parlamentar do Syriza, que esta manhã afastou a disciplina de voto sobre a proposta, houve oito abstenções, dois votos contra e seis ausências. A mais notada foi a de Yanis Varoufakis, que justificou com “motivos familiares” mas esclareceu que votaria a favor se lá pudesse estar. Um grupo de 15 deputados fez uma declaração de voto a justificar o voto favorável com o apoio ao governo, apesar de discordarem das medidas de austeridade contidas na proposta.

No conjunto das bancadas do Syriza e Gregos Independentes, votaram a favor 145 dos 162 deputados, ficando abaixo dos 151 necessários para garantir a maioria. Nesta votação isso não seria necessário, pois a proposta resulta da declaração conjunta dos partidos no dia seguinte ao referendo em que 61% dos gregos rejeitaram o ultimato dos credores. Nova Democracia, PASOK e To Potami, os grandes derrotados do referendo, deram o seu apoio à nova proposta enviada aos credores. As bancadas a Aurora Dourada e do KKE votaram contra a proposta.

Zoe Konstantopoulou absteve-se, por entre acusações à Alemanha

A presidente do parlamento interveio para explicar a sua abstenção no voto, por entender que assim será “mais útil à sociedade” e sublinhando que em circunstâncias normais votaria contra medidas como as que estão na proposta aos credores. Mas em seguida enalteceu o papel do primeiro-ministro, “que lutou como ninguém e trouxe-nos esperança”, e o resultado do referendo em que “o povo disse não à chantagem e homenageou o seu governo”. Zoe Konstantopoulou atacou duramente o governo da Alemanha por não pagar as reparações de guerra à Grécia. Mas também por negar aos gregos um perdão da dívida semelhante ao que os alemães beneficiaram em 1953 para recuperar a economia. Depois do Chipre, a Grécia é o segundo caso de chantagem na Europa em poucos anos, sublinhou Konstantopoulou.

Lafazanis: “Apoio o governo, mas não o programa de austeridade”

Para além de Zoe Konstantopoulou, também os ministros da Energia, Panagiotos Lafazanis, e da Segurança Social, Dimitris Stratoulis, se abstiveram. Lafazanis é a principal figura da Plataforma de Esquerda, a corrente que tem disputado a linha política na direção do partido com resultados acima dos 40% nas votações internas. Costas Lapavitsas, economista da mesma corrente, foi outro dos deputados a optar pela abstenção. Os dois parlamentares do Syriza a votar contra pertencem à DEA, organização que integra a Plataforma. Quatro deputados do KOE, outra organização desta corrente, faltaram à sessão, emitindo um comunicado contra a aprovação da proposta em debate.

“Apoio o governo, mas não posso apoiar um programa de austeridade, de privatizações e desregulamentação, que caso seja aceite pelos credores e posto em prática, irá aumentar o círculo vicioso de recessão, pobreza e miséria”, afirmou o ministro da Energia.

Alguns dos deputados não esconderam o desagrado pela circunstância de irem aprovar um programa com medidas contrárias ao programa eleitoral. A jovem deputada Panagiota Dritseli foi o exemplo mais evidente ao dizer que não sabia como ia aguentar o peso deste voto, irrompendo em lágrimas na tribuna.

 

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