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Schäuble insiste em afastar a Grécia do euro

Wolfgang Schäuble. Foto União Europeia ©

Apesar do voto favorável dos deputados gregos às condições para o novo empréstimo, o ministro alemão disse hoje que a saída “temporária” da moeda única é “o melhor caminho” para a Grécia poder a ver parte da dívida perdoada. O vice-primeiro-ministro Dragasakis já respondeu a Schäuble e diz que não aceita a estratégia alemã “do chicote e da cenoura” para a Grécia.

Em declarações à rádio alemã Deutschlandfunk, Wolfgang Schäuble disse que a votação de ontem à noite em Atenas é “mais um passo em frente” com vista às negociações, mas insistiu que o seu plano de “saída temporária” da Grécia do euro é a melhor solução.

“Eu não sei e ninguém sabe hoje como é que o programa pode funcionar sem um corte na dívida, mas toda a gente sabe que esse corte é incompatível com a permanência no euro”, afirmou o ministro alemão das Finanças, citado pela Bloomberg. Depois de Alexis Tsipras e do FMI, também Schäuble não esconde a pouca fé que deposita no acordo que os credores forçaram a Grécia a assinar na madrugada de segunda-feira em Bruxelas.

A resposta de Atenas não tardou, com o vice-primeiro-ministro Yianis Dragasakis a insurgir-se no Facebook contra a estratégia alemã do “chicote e da cenoura”. “O sr. Schäuble voltou à ideia da “saída temporária do euro” por parte da Grécia com a perspetiva de poder fazer um corte na dívida. Essa é a cenoura, mas por detrás há o chicote, que traz a declaração de bancarrota, memorandos duros de duração ilimitada e o recurso ao ‘Clube de Paris’, com litigância sem fim com os credores”.

Para Dragasakis, o lado positivo das declarações dos últimos dias é que “já todos parecem concordar que a dívida grega não é sustentável, como o governo grego tem defendido desde o início”. O governante que esteve envolvido nas negociações dos últimos meses diz que o programa a negociar “dispõe dos mecanismos técnicos que permitem aliviar a economia e a sociedade grega do peso excessivo da divida e colocá-la numa trajetória sustentável”.

Eurogrupo dá luz verde para empréstimo de 7.000 milhões de euros

Esta quinta-feira, os ministros das Finanças da zona euro aprovaram o empréstimo urgente à Grécia para cobrir as próximas necessidades de financiamento. Na próxima semana vence o prazo do reembolso de 3.500 milhões de euros ao Banco Central Europeu e o montante de reeembolsos em atraso ao FMI já supera os 1.500 milhões de euros.

O empréstimo só será anunciado na sexta-feira se os parlamentos nacionais obrigados a reunir para o aprovar derem luz verde. O primeiro a fazê-lo – mesmo antes dos deputados gregos votarem as pré-condições – foi o parlamento francês na tarde de quarta-feira.

O Secretário norte-americano das Finanças está na Europa com a crise grega na agenda. Washington pressionou nos últimos meses para haver um acordo que mantenha a Grécia no euro e inclua o alívio da dívida do país. A reunião com Wolgang Schäuble decorreu esta manhã, mas não se sabe se a “proposta” do ministro alemão de acolher Porto Rico na zona euro por troca com a Grécia, que seria despachada para o dólar, terá sido um dos temas de conversa.

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