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Televisões gregas admitem parcialidade na cobertura do referendo

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Na sequência das cerca de três mil queixas recebidas pelo regulador da televisão grega, as televisões foram notificadas para entregarem os dados sobre a presença de defensores do Sim e do Não na sua antena. As redes privadas SKAI e ANT1 admitem ter convidado 65% de figuras do Sim e 35% do Não. A MEGA TV, que esteve na origem de muitas das queixas, recusou-se a entregar dados.

O Conselho Nacional para a Rádio e Televisão irá ainda conferir a exatidão dos dados entregues pelos canais televisivos, que dizem respeito apenas ao período entre 29 de Junho e 3 de julho e só contabilizam o número de presenças, não o tom das notícias nem o espaço concedido aos que apelavam à abstenção e ao voto nulo.

Das 6 principais estações, apenas a MEGA TV, notificada duas vezes pelo regulador, disse ser impossível recolher esses dados. Esta estação televisiva destacou-se na campanha de terror na semana do referendo, transmitindo inclusive uma fotografia tirada na África do Sul em 2012, com uma idosa a proteger uma amiga enquanto estava no multibanco, como tendo sido tirada o próprio dia na Grécia.

A crer na fiabilidade dos dados entregues, o prémio para o equilíbrio vai para a estação pública ERT, onde o OXI levou vantagem sobre o Sim por 53.3% a 46.7%. Na privada Star a diferença também foi mínima, 53.6% contra 46.4% a favor do Sim. Segue-se a privada Alpha, com 56% a 44% a favor do Não.

Os casos mais evidentes de parcialidade são os da Ant-1, que viu um carro de exteriores incendiado na noite de votação no parlamento grego, com quase dois terços dos convidados a defenderem o Sim (64.8% a 35.2%. Na Skai, onde havia jornalistas que choravam só de imaginar a vitória do OXI panorama foi semelhante, com a vantagem dos defensores do Sim na programação a atingir os 64.1% contra 35.9% do Não.

Convidados das televisões gregas na semana do referendo

Convidados das tv’s gregas no referendoConvidados das televisões gregas na semana do referendo

A par do inquérito do Conselho Nacional para a Rádio e Televisão, o escândalo da cobertura tendenciosa do referendo está também sob investigação do Ministério Público e do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas de Atenas.

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