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Tsipras quer congresso para clarificar estratégia e unir o partido

Alexis Tsipras. Foto Left.gr

A reunião de ontem do Secretariado Político do Syriza discutiu a urgência de juntar o partido para discutir coletivamente qual deve ser a orientação no próximo período e analisar os erros cometidos no primeiro semestre de governo.


“Com a decisão da cimeira da zona euro, fechou-se um ciclo de seis meses de iniciativa política. Este ciclo deve ser avaliado ao pormenor. Os resultados alcançados pelo governo – um empréstimo de 85 mil milhões para três anos a juro baixo, um compromisso para o alívio da dívida, uma redução das metas futuras dos saldos orçamentais primários e um pacote de 35 mil milhões para o crescimento – devem ser discutidos abertamente. Tal como o debate sobre os erros que cometemos”, afirmou o líder do Syriza na reunião, citado pela agência ANA-MPA.

“O assunto é sério. A nossa estratégia deve ser clarificada com tranquilidade e maturidade, através de processos coordenados que envolvam o conjunto das forças do partido. Por isso, um processo congressual deve ser ter início assim que possível, tal como previsto nos estatutos. A nossa obrigação comum é a de proteger a unidade do partido”, acrescentou Alexis Tsipras.

O primeiro-ministro quer trazer ao debate as alternativas às decisões tomadas no processo negocial com os credores, nomeadamente se elas foram acertadas e se foi feito todo o possível por parte do governo para proteger os interesses do país.

“Houve algum plano realista e sustentado que não foi adotado? O que seria hoje essa solução alternativa e sustentada? Deve [a esquerda] entregar o governo aos representantes de um sistema político falido ou fazer a batalha nas condições agora surgidas?”, foram algumas das questões elencadas pelo primeiro-ministro grego na reunião do Syriza.

Tsipras aludiu ainda aos efeitos que o acordo imposto em Bruxelas provocou em toda a Europa e as questões que levantou sobre o funcionamento da zona euro, defendendo que o governo grego tem a obrigação de fazer alianças e travar a sua batalha no plano político e institucional.

“É importante que haja aqui um governo que negoceie em nome do povo e da sociedade, e não um que esteja em conluio com os credores, como antes acontecia”, acrescentou o primeiro-ministro, defendendo que haverá espaço para medidas que tornem o memorando mais sustentável do ponto de vista social.

“Esta a altura para iniciativas políticas dirigidas a áreas que estão no nosso programa e não estão cobertas pelas negociações”, acrescentou, referindo-se ao combate à corrupção e evasão fiscal ou à modernização da administração pública.

“Tudo isto são as frentes da batalha que a esquerda tem hoje de travar. Para isso precisamos de processos democráticos de decisão coletiva. Não podemos abandonar esta batalha. É esta a mensagem que a sociedade nos dá e que precisamos de ouvir”, afirmou Alexis Tsipras.

A reunião do Comité Central prevista para o final desta semana deverá prosseguir o processo de convocação do congresso do Syriza. Segundo o Avgi, Alexis Tsipras propôs realizá-lo em setembro, mas a data não está ainda fechada.

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