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Bancos afundam na bolsa e cartões multibanco batem recordes

Bolsa de Atenas. Foto Avgi.

As consequências da asfixia financeira que encerrou os bancos gregos e obrigou ao controlo de levantamentos não desapareceram com a reabertura dos balcões. A banca descapitalizada afundou na bolsa de Atenas nos três primeiros dias do regresso das operações bolsistas. O último mês provocou uma alteração radical dos meios de pagamento na Grécia, um país com uma taxa de utilização dos cartões bancários muito longe da média europeia.


A relação dos gregos com o dinheiro mudou radicalmente no último mês. Segundo a agência Bloomberg, desde que os bancos fecharam portas após a convocação do referendo, foram emitidos cerca de um milhão de cartões multibanco.

Só o Alpha Bank foi responsável pela emissão de 220 mil cartões em julho, mês em que entregou mais cartões do que em todo o ano de 2014. O Banco Nacional da Grécia, líder de mercado, emitiu 400 mil cartões no mesmo período.

O responsável dos pagamentos com cartões Visa na Grécia, por onde passam 60% dos pagamentos com cartão no país, afirma que na primeira quinzena após o controlo de capitais, o número de transações aumentou 135%. Se a média europeia em 2014 era de 1 em cada 6 euros pagos com cartões de débito Visa, na Grécia o número baixava para 1 em cada 37 euros, acrescentou o responsável da Visa a Bloomberg.

A procura de cartões fez-se sentir em particular nos reformados, que passaram dia de aflição por não se poderem juntar às filas do multibanco para levantar as suas reformas ao ritmo de 60 euros diários. Só dias depois dos bancos fecharem foram abertos balcões em algumas agências, exclusivamente para os reformados fazerem levantamentos.

Negociações do memorando prosseguem, banca espera recapitalização

O controlo aos levantamentos bancários na Grécia mantém-se, mas o limite deixou de ser diário e passou a ser de 420 euros por semana. Para os utilizadores de cartão multibanco, os pagamentos e transferências nunca estiveram limitados, desde que a conta de destino seja na Grécia.

Desde a reabertura dos bancos, os gregos já depositaram mil milhões de euros, uma quantia ainda longe dos 8 mil milhões levantados em junho. A banca grega está em suspenso das negociações do memorando, que prevê uma quantia a rondar os 25 mil milhões para a recapitalização. Os próximos testes de stress do BCE irão determinar a quantia necessária de capital para evitar a queda destes bancos.

Entretanto, as negociações entre a troika regressada a Atenas e os ministros das Finanças e da Economia prosseguem esta semana, também com a recapitalização dos bancos na agenda. Outros temas em discussão são o crédito malparado e o fundo para as privatizações, sobre o qual ambas as partes admitem existir diferenças importantes.

Fontes do ministerio liderado por Euclid Tsakalotos afirmaram à imprensa que boa parte dos dossiers podem ficar fechados esta semana, de forma a alcançar um acordo até 18 de agosto. Quanto às metas orçamentais que o terceiro memorando irá ditar, os números estão ainda em aberto até que seja determinada a extensão dos danos para a economia grega daquilo a que Yanis Varoufakis chamou o “terrorismo financeiro” contra a Grécia nos últimos meses.

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