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Lafazanis pré-anuncia cisão no Syriza

Panagiotis Lafazanis. Foto Left.gr ©

O dia do debate parlamentar do terceiro memorando ficou marcado pela fraca adesão às manifestações sindicais na Praça Syntagma, mas também pelas declarações políticas de figuras da esquerda do Syriza a demarcarem-se do acordo. O líder da Plataforma de Esquerda apela à criação de um movimento político e social antimemorando.


As centrais sindicais PAME e ADEDY voltaram a convocar os seus apoiantes para manifestações no centro de Atenas pela recusa do memorando, mas a mobilização foi inferior à da votação do primeiro pacote de medidas prévias, há apenas algumas semanas. A justificá-lo está o período de férias e a divulgação de que as metas de austeridade foram revistas em baixa durante as negociações, afastando novas medidas que se traduzam em mais cortes nos rendimentos.

Lafazanis quer construir movimento do “Oxi que vai até ao fim“

O deputado e ex-ministro da Energia apelou esta quarta-feira à criação de um movimento nacional contra o memorando e a austeridade. Fontes do governo dizem que a decisão de Lafazanis já foi tomada há muito tempo e não deverá esperar pelo congresso de setembro.

“A luta contra o memorando começa agora, mobilizando pessoas em todos os cantos do país”, afirma a declaração subscrita por outros 11 dirigentes dos vários grupos e tendências que constituem a Plaraforma de Esquerda.

“Temos de continuar o caminho do [referendo de] 5 de julho até ao fim, derrubar as políticas do memorando, com um plano alternativo para o dia seguinte, para umaGrécia democrática, reconstruída e socialmente justa”, refere a declaração, que apela “à criação de um movimento nacional, através da criação de comités contra o novo Memorando, a austeridade e a nova tutela do país. Um movimento unitário que cumpra as aspirações do povo de mais democracia e justiça social”.

A reação do círculo próximo de Alexis Tsipras não se fez esperar: “A decisão de Panagiotis Lafazanis de anunciar hoje, em concordância com figuras da fragmentada esquerda extraparlamentar, o modelo para uma nova entidade política, conclui uma decisão tomada há muito tempo para separar o seu caminho do do governo e do Syriza, mesmo antes do congresso extraordinário que foi marcado conjuntamente” pelas diferentes tendências, afirmou uma fonte governamental à agência ANA-MPA.

Respondendo às críticas elencadas por Lafazanis sobre o abandono dos compromissos pré eleitorais do Syriza e o “OXI” do referendo que o ex-ministro diz querer representar, as mesmas fontes do governo recordam que “um regresso ao dracma – que é afirmado o objetivo político central –, que significa termos e o dracma e o memorando, pode ser a posição de Wolfgang Schäuble, mas nunca foi um compromisso eleitoral do Syriza”.

Juventude do Syriza e outros dirigentes sublinham oposição ao memorando

Outros 19 dirigentes do Syriza, da corrente 53+, que tem sido o fiel da balança em muitas decisões, lançaram esta quinta-feira uma declaração a defender a rejeição do memorando e que não sejam marcadas eleições antes do congresso do partido que se realiza em setembro.

Também a juventude do Syriza lançou um comunicado a acusar o terceiro memorando de ser contrário à estratégia e compromissos do partido e o governo de fazer uma “viragem violenta em direção à estratégia neoliberal que consolida a lógica de que qualquer saída da crise capitalista passa pela violanção dos direitos dos trabalhadores e da juventude, em benefício do capital”.

Para a juventude do Syriza, a clarificação da atitude do partido face à adoção ou não deste memorando enquanto estratégia do governo será a grande questão a que o congresso extraordinário tem obrigação de responder.

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