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Líder da Aurora Dourada reclama “responsabilidade política” por assassinato

Mural dedicado a Pavlos Fyssas, o rapper assassinado por um membro da Aurora Dourada a 18 de setembro de 2013. Foto retirada de Golden Dawn Watch

As declarações de Nikos Mihaloliakos surgiram na véspera do segundo aniversário da morte do rapper Pavlos Fyssas às mãos de um membro do partido neonazi grego e provocaram declarações de repúdio das restantes partidos. Apesar dos seus membros estarem a ser julgados por associação criminosa, a Aurora Dourada surge destacada nas sondagens como a terceira força partidária na Grécia.


“No que toca à responsabilidade política pelo assassinato em Keratsini, assumimo-la. Mas não a responsabilidade criminal”, disse o líder da Aurora Dourada esta quarta-feira numa entrevista à rádio Real FM. O assassinato do rapper Pavlos Fyssas desencadeou uma operação policial contra o partido neonazi, que levou à prisão de vários dirigentes e deputados. O julgamento por associação criminosa ainda decorre e deve concluir-se em novembro, mas os últimos deputados que ainda estavam presos foram soltos nos últimos dias.

“Este crime hediondo revelou à sociedade grega a face odiosa da Aurora Dourada: um gang fascista e assassino dirigido contra os mais fracos, com o pretexto de uma retórica antisistema espúria, que é absolutamente conveniente para o sistema”, declarou o Syriza em comunicado. A Nova Democracia também reagiu ao que considerou uma “confissão provocatória durante a campanha eleitoral com o objetivo de aterrorizar os cidadãos e os partidos”.

O gabinete de imprensa do KKE diz que a confissão do líder da Aurora Dourada “não lhe retira, antes reforça, as responsabilidades criminais pelo assassinato de Fyssas” e por muitos outros ataques, incluindo a imigrantes e sindicalistas comunistas, confirmando assim “que a natureza criminosa da Aurora Dourada deriva da ideologia nazi”. Para a Unidade Popular, “a confissão de Mihaloliakos prova que o assassinato de Pavlos Fyssas não foi um caso isolado, mas um resultado de uma ideologia, ação e organização fascista por parte da organização neonazi”.

O Potami sublinhou que “cada voto na Aurora Dourada é uma recompensa para os seus atos criminosos” e que “é um dever de toda a gente não permitir que no domingo seja dado ao chefe de um gangue criminoso o terceiro mandato para formar governo”. Quanto ao Pasok, apelou aos gregos para responderem à provocação nas urnas, “fechando a porta ao gang de assassinos”. Também os Gregos Independentes reagiram às declarações de Mihaloliakos, sublinhando a sua “imensa cobardia e cinismo” que são “a cara repugnante da organização neonazi”.

Sondagens indicam que Aurora Dourada pode sair reforçada das eleições

Todas as sondagens publicadas esta quinta-feira dão o partido neonazi destacado na terceira posição, com 6.5% a 7.2% das intenções de voto. A confirmarem-se as previsões, a Aurora Dourada reforçará a sua votação em relação a janeiro, quando obteve 6.3%, recuperando para mais perto dos 6.9 que obteve em 2012.

A campanha xenófoba contra os migrantes, uma das principais bandeiras do partido, ganhou mais força com a entrada de mais de 200 mil refugiados em fuga à guerra da Síria. Para além do reforço da propaganda, registaram-se ataques a refugiados nalgumas ilhas.

Para o jornalista Yorgos Mitralias, do Comité Contra a Dívida Grega, a ascensão eleitoral dos neonazis gregos pode não ficar por aqui, com a dispersão de forças da esquerda e a perspetiva de um governo de coligação com os partidos do velho sistema a fazer “a paisagem ideal para a extrema-direita”.

“Na realidade, os dirigentes do Syriza nunca compreenderam que o seu próprio sucesso eleitoral não era outra coisa que a outra face da moeda do sucesso da Aurora Dourada, pois as enormes fraturas de que ambos os partidos foram o resultado, bem como a ilustração da procura desesperada de soluções radicais, nos extremos do mapa político do país, por parte de grande parte da população pauperizada, radicalizada e em cólera”, defende Mitralias, avisando que “todo o sectarismo que conduz ao atual esfrangalhamento extremo das forças da esquerda radical equivale a um verdadeiro suicídio que faz a cama à extrema-direita neonazi”.

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