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Refugiados entram na campanha eleitoral grega

Refugiados chegam à Grécia

As autoridades gregas não conseguem dar resposta à chegada diária de milhares de refugiados vindos sobretudo da Síria, mas também do Iraque e Afeganistão. Em comunicado, Alexis Tsipras respondeu aos ataques da Nova Democracia, acusando o partido da direita de ser responsável pela falta de meios de acolhimento.


As críticas da Nova Democracia à política de “fronteiras abertas” do governo liderado pelo Syriza entraram na campanha eleitoral e tiveram uma resposta contundente por parte de Alexis Tsipras. Num comunicado publicado no site do partido, Tsipras diz que “até o populismo tem de ter limites” e pergunta ao partido que está colado ao Syriza nas sondagens qual a alternativa que propõe ao acolhimento dos que fogem à guerra.

“Querem usar os navios da Guarda Costeira para afundar os barcos de borracha que trazem os refugiados? Querem transformar o Mar Egeu num cemitério para milhares de crianças como Ailan”, questiona Alexis Tsipras, antes de acusar a Nova Democracia de ser responsável pela falta de meios para o acolhimento.

“A 25 de janeiro, a Nova Democracia deixou-nos absolutamente nenhuma política ou planeamento para responder ao assunto dos refugiados, apesar de na altura ser completamente óbvio que as vagas de refugiados iriam chegar ao país”, afirma Tsipras, referindo-se também às “instalações de acolhimento inadequadas e insuficientes, mesmo para condições normais” que existiam quando tomou posse. “E a acrescer a isto, [o anterior governo da Nova Democracia/PASOK] aproveitou zero dos fundos europeus então disponíveis para construir novos centros de acolhimento”.

O ex-primeiro-ministro que se recandidata a um novo mandato mostra em seguida as medidas tomadas nos sete meses da sua governação, como a criação do Ministério das Migrações, a iniciativa para a cimeira europeia que permitiu o deslocamento de 16 mil refugiados, a limitação do tempo máximo de detenção para seis meses, o acesso às linhas de financiamento de emergência da UE e a construção de novos centros de acolhimento.

Falta de meios e de organização provocam revolta de muitos refugiados

Tudo medidas que chegaram demasiado tarde e são insuficientes para dar resposta ao problema humanitário. Em ilhas como Lesbos, são milhares de pessoas que aguardam dias e semanas a fio pela sua vez de se registarem e entrarem no barco para o continente. Por outro lado, a prioridade aos oriundos da Síria, deixando para trás os afegãos e iraquianos, tem provocado grandes tensões e uma resposta violenta da polícia no local, como se verificou este sábado:

Tsipras aponta ainda o dedo à responsabilidade europeia, dizendo que esta crise dos refugiados está a pôr à prova a capacidade da UE agir como uma verdadeira União. “Não basta ficarmos comovidos com as imagens terríveis de crianças mortas”, conclui Tsipras, apelando à solidariedade europeia e internacional e ao fim da demagogia que entrou na campanha eleitoral na Grécia.

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