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Banqueiros apoiam governo contra os despejos da troika

Giorgios Stathakis e Alexis Tsipras. Foto Left.gr

O líder do Piraeus Bank foi categórico na recusa da liberalização dos despejos que os credores tentam impor a Atenas. A recapitalização dos quatro maiores bancos gregos será aprovada no fim de semana, logo após serem conhecidos os resultados dos testes de stress do BCE à banca grega. O chefe da diplomacia grega aponta a contradição da Europa ao tentar impor despejos massivos na Grécia enquanto promete ajudas para a construção de casas para os refugiados que chegam diariamente ao país.


Banqueiros e governo parecem estar de acordo em recusar a imposição dos credores de colocar mais famílias desprotegidas em risco de perderem a primeira habitação por incumprimento nas prestações da casa.

“É um erro enorme. Os bancos vão ser prejudicados com os altos custos para aplicar o processo dos despejos… Para além disso, esta medida é uma grande injustiça social que vai prejudicar os próprios bancos. Se todas essas dezenas de milhates de habitações passarem para as mãos dos bancos, o seu valor irá desaparecer”, afirmou Machalis Sallas aos jornalistas, apontando os custos da manutenção e seguros das casas, entre outros.

Atenas espera obter luz verde da reunião de 9 de novembro do Eurogrupo para o pagamento da tranche de 2 mil milhões de euros do empréstimo acordado no terceiro memorando. Para além da liberalização dos despejos das famílias endividadas, continuam em aberto dossiês como o do IVA na educação, mudanças no setor das farmácias ou a cobrança de dívidas ao Estado. Do lado do governo, a mensagem é a de que 90% das condições impostas por Bruxelas e aprovadas no parlamento estão a ser implementadas.

“UE manda-nos despejar as famílias endividadas e construir casas para os refugiados. O que havemos de dizer aos gregos?”

Na próxima terça-feira, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, estará em Atenas para uma visita de dois dias onde serão discutidos os pontos que ainda separam as equipas negociais. Hoje foi a vez do Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão visitar a capital grega. Frank-Walter Steinmeier prometeu ajuda para dar resposta à chegada de refugiados, no dia em que foi conhecida mais uma tragédia junto às ilhas gregas com dez mortos confirmados e dezenas de desaparecidos após o afundamento dos barcos onde viajavam. Cerca de 250 pessoas foram resgatadas com vida.

Segundo uma jornalista do Wall Street Journal, o ministro dos Negócios Estrangeiros grego, Nikos Kotzias, aproveitou o encontro para apontar a contradição europeia de tentar impor os despejos das famílias endividadas de suas casas e ao mesmo tempo prometer ajuda para construir alojamento para os milhares de refugiados.

Recapitalização da banca aprovada no parlamento este fim de semana

O vice-primeiro ministro Yannis Dragasakis encontrou-se esta quinta-feira com o Presidente da República e diz estar confiante no sucesso do processo de recapitalização da banca, que tem de estar concluído até ao fim do ano, quando entra em vigor a transposição da diretiva europeia que põe os depositantes a pagarem o capital em falta nos bancos.

A lei de recapitalização deverá ser aprovada este fim de semana pelos deputados, depois de conhecidos os números dos testes de stress do Banco Central Europeu, e que parecem ter superado as expetativas do Banco da Grécia.

Dragasakis diz que esta será a última vez que o governo grego irá salvar os bancos privados e acusou os anteriores processos de recapitalização de terem falhado por não enfrentarem o “buraco negro do crédito malparado”.

Segundo o Banco da Grécia, os depósitos nos bancos gregos aumentaram 530 milhões de euros em setembro, seguindo a tendência de subida do mês anterior, após dez meses de queda nos depósitos. No entanto, os 121.67 mil milhões de euros depositados continuam ao nível dos mínimos registados em maio de 2003.

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