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Deputado da Nova Democracia agredido por elementos da Aurora Dourada

O deputado da Nova Democracia, Giorgos Koumoutsakos, escapa aos agressores sob o olhar da polícia em frente ao parlamento.

Um deputado da Nova Democracia foi atacado à saída do parlamento grego, onde se concentravam centenas de pessoas contra as declarações do ministro da Educação a definir o genocídio de Pontiac, reconhecido oficialmente como tal pela Grécia, como uma limpeza étnica. A imprensa diz que a ordem partiu de um deputado da Aurora Dourada presente na manifestação.


Enquanto o protesto decorria, um deputado do Nova Democracia, Giorgos Koumoutsakos, foi atacado pelos manifestantes à saída do parlamento, tendo sido esmurrado e pontapeado. Koumoutsakos apresentou queixa contra os agressores, que acusou de pertencerem ao partido neonazi Aurora Dourada e apelou ao ministro do Interior que mostre que consegue proteger os cidadãos. “A Aurora Dourada promove a violência e o obscurantismo. Não irá parar até que a façam parar”, afirmou o deputado da Nova Democracia. A passividade dos agentes policiais que estavam junto ao local da agressão foi bastante criticad apelos media gregos.

Este domingo a imprensa grega revela que uma testemunha do ataque viu um dos agressores, entretanto detido, a conversar com o deputado da Aurora Dourada Ilias Kasidiaris antes e depois do ataque. Segundo o seu testemunho, ouviu o deputado dizer-lhe: “Deixa os outros, apanha o Koumoutsakos”. O deputado nega a acusação de ter dado ordens para o ataque ao parlamentar da Nova Democracia.

Ministro da Educação e Assuntos Religiosos diz que o genocídio de Pontiac foi limpeza étnica

A polémica que deu origem à manifestação é antiga e reacendeu-se na segunda-feira, quando o Ministro da Educação, Investigação e Assuntos Religiosos, Nikos Filis, afirmou no canal de televisão Star que o genocídio de Pontiac foi antes uma limpeza étnica. Esta declaração surge após o anterior ministro da Educação ter decidido retirar o estudo do genocídio do programa do 12° ano. Foi em resposta a estas declarações que a Federação Grega de Pontiac organizou o protesto de quinta-feira em frente ao parlamento.

A questão do genocídio de Pontiac é muito sensível para o povo grego, afirmando-se como um trauma coletivo. Centenas de milhares de gregos foram mortos e deportados pelo Império Otomano entre 1914 e 1923, após a guerra greco-turca. O objetivo das autoridades turcas era a criação de um Estado nacional e a presença da população grega na Ásia Menor era considerada uma ameaça a esse objetivo.

Em 1994, por iniciativa de deputados do PASOK e Nova Democracia, o parlamento grego reconheceu oficialmente o genocídio de Pontiac, uma decisão criticada pelos partidos da esquerda. Em 2014 foi aprovada uma lei que estipula penas de prisão ou multas avultadas para quem negue publicamente a existência do genocídio. Também no ano passado, o então líder da oposição Alexis Tsipras apelou à Turquia para que reconhecesse o genocídio. Comentando as declarações desta semana do Ministro Nikos Filis, o Secretariado do Syriza afirma ter sido claro que se tratavam das “opiniões pessoais” do ministro sobre o tema, enquanto o governo diz que o país tem uma posição oficial sobre o assunto, votada em Assembleia, e que ela não está em causa, pelo que o resto são as opiniões pessoais a que cada um tem direito no debate histórico e científico sobre aquele período. Os aliados dos Gregos Independentes também criticaram Nikos Filis, dizendo que “o ministro foi longe demais” nas suas declarações feitas enquanto membro do governo na televisão. No Parlamento, dezenas de deputados da Nova Democracia e da Aurora Dourada pediram a demissão do ministro.

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