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Schulz e Tsipras visitam ilha onde já não cabem mais mortos

Tsipras e Schulz. Foto Parlamento Europeu

Nas vésperas da visita de Alexis Tsipras e Martin Schulz a Lesbos, o bispo e o autarca da ilha denunciaram que o cemitério rebentou pelas costuras e há dezenas de corpos em contentores frigorífico.


Em declarações às televisões gregas nos últimos dias, o bispo da ilha de Lesbos, um dos principais pontos de chegada dos refugiados em frágeis embarcações vindas da Turquia, explicou que o ponto de rotura do cemitério da ilha já foi ultrapassado.

“Temos agora dois problemas: onde colocar todas estas pessoas e onde as enterrar”, disse o bispo Iakovos. A ilha de 85 mil habitantes recebeu mais 200 mil refugiados este ano, muitas centenas já sem vida.

Dezenas de corpos das tragédias da semana passada estão em contentores frigoríficos e tanto a morgue como o cemitério de Lesbos estão completamente cheios. A ilha de Samos sofre uma situação idêntica, com 30 corpos por enterrar por falta de espaço.

Os autarcas queixam-se da burocracia e das regulamentações para alargar os cemitérios a terrenos contíguos, mesmo nos casos em que tenham sido doados aos hospitais públicos para esse fim. O bispo de Lesbos diz que o processo pode demorar três anos até ser encontrada uma solução.

Schulz visita Lesbos na quinta-feira

O presidente do Parlamento Europeu visita a Grécia esta semana, com a agenda preenchida com iniciativas relacionadas com os refugiados. Na quarta-feira assistirá à partida dos primeiros refugiados que serão realojados na UE a partir da Grécia. Com ele estarão o primeiro-ministro Alexis Tsipras, o comissário europeu Dimitris Avramopoulos e o chefe da diplomacia luxemburguesa Jean Asselborn.

Tsipras e Schulz, cuja relação já passou por altos e baixos nos últimos meses, reunirão a dois durante o dia. A posição do primeiro-ministro da Grécia sobre o comportamento da Europa face aos refugiados tem sido bem vincado nas suas intervenções, como a da semana passada no parlamento onde afirmou ter vergonha de pertencer à liderança europeia.

Na quinta-feira, os dois estarão na ilha de Lesbos para avaliar a situação num local onde chegam milhares de pessoas todos os dias e noites, a grande maioria fugindo à guerra na Síria e Afeganistão. Apesar do mau tempo, o recorde de chegadas à ilha foi batido na última sexta-feira, com 9500 pessoas em 180 barcos de borracha.

O governo grego quer mostrar o trabalho dos voluntários no acolhimento e da guarda costeira no salvamento no mar, e sobretudo “sublinhar o papel do país na primeira linha da defesa da solidariedade e humanismo, em nome de toda a Europa”, afirmou fonte governamental à agência ANA-MPA.

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