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Grécia rejeita ameaças de expulsão de Schengen

Refugiados na fronteira de Idomeni. Foto Martin Leveneur/Flickr

O governo grego requereu a ativação do Mecanismo de Proteção Civil da UE e reagiu às notícias sobre a ameaça de expulsão de Schengen. Atenas recusa-se a ser o bode expiatório da crise dos refugiados.


 

O ministro das Migrações anunciou esta quinta feira ter pedido a ativação do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia. “Pedimo-lo hoje, e não há alguns meses, porque não tínhamos na altura a noção exata das necessidades”, justificou Yiannis Mouzalas. Este mecanismo criado em 2001 serve para agilizar a cooperação entre as autoridades de proteção civil dos vários países membros.

O ministro aproveitou para rejeitar as ameaças “vindas da Hungria e doutros países com uma certa abordagem na gestão dos refugiados e migrantes” acerca da possível exclusão da Grécia do espaço Schengen. Para Mouzalas, trata-se de uma campanha “baseada em mentiras e distorções”.

Uma das mentiras apontadas por Yiannis Mouzalas é a de que a Grécia se teria recusado a cooperar com a agência Frontex. Pelo contrário, diz o ministro, foi a agência europeia de fronteiras que não deu a assistência pedida pela Grécia nas ilhas, onde era necessária, preferindo exigir patrulhas conjuntas na fronteira com a antiga república jugoslava da Macedónia.

Dos 318 funcionários do Frontex requisitados pela Grécia para a fronteira marítima, apenas chegaram 40 em cada mês, prosseguiu o ministro grego, acrescentando em relação às centenas de máquinas de registo de refugiados supostamente oferecidas pela UE e recusadas pela Grécia, que “a verdade é que só nos deram 48 e não enquanto UE, vieram 12 da Alemanha”.

“Grécia tem cumprido todas as obrigações europeias”, diz porta-voz do governo

Na quarta-feira, a porta-voz do governo, Olga Gerovassili, já tinha reagido às notícias sobre a vontade de alguns países em afastar a Grécia do espaço Schengen, numa tentativa de culpar o país pelo desastre do atual processo de integração de refugiados na União Europeia.

“Infelizmente, alguns meios europeus insistem em distorcer a realidade e continuam a acreditar que o futuro da Europa pode ser construído sobre fobias, muros e exclusões”, afirmou Olga Gerovassili, garantindo que “a Grécia tem cumprido, apesar das grandes dificuldades, as suas obrigações europeias”, tal como foi reconhecido pelos parceiros na recente reunião à margem da cimeira UE/Turquia. “Entretanto, a Grécia continua à espera que os parceiros europeus cumpram os seus próprios compromissos”, conclui a porta-voz do governo grego.

Aumento da tensão na fronteira de Idomeni

Ouvido pelo parlamento esta manhã, o ministro das Migrações falou ainda da crise junto à fronteira de Idomeni, onde milhares de pessoas protestam por não poderem entrar em território da Macedónia, que só aceita refugiados oriundos da Síria, Afeganistão e Iraque. Vindos sobretudo do Irão e do Paquistão, estas pessoas estão a recusar-se a regressar a Atenas e Salónica, onde o governo grego prepara alojamento temporário. As empresas gregas já alertaram para o avolumar dos prejuízos provocado pelos cortes das linhas ferroviárias junto à fronteira, uma das formas de protesto encontrada nas últimas semanas pelos migrantes que querem sair da Grécia.

Esta quinta-feira, uma pessoa morreu eletrocutada pelos cabos da ferrovia e prosegue o clima de tensão entre os migrantes e refugiados impedidos de passar a fronteira, os restantes que são autorizados a sair da Grécia e as forças policiais. Yiannis Mouzalas não descartou o envio de unidades especiais para acabar com o protesto, mas diz querer evitar a todo o custo um banho de sangue na fronteira.

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