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Atenas espera negociar restruturação da dívida em fevereiro

Euclid Tsakalotos. Foto União Europeia ©

Em entrevista à Reuters, o ministro das Finanças da Grécia diz que só um alívio da dívida poderá dar confiança aos investidores e afastar de vez o fantasma do Grexit.

Ns vésperas da aprovação do Orçamento de Estado e de um novo pacote de medidas negociadas com os credores para garantir o sucesso da primeira avaliação do terceiro memorando, Euclid Tsakalotos falou à Reuters do futuro económico da Grécia.

“Se for seguido o roteiro do governo para completar a recapitalização dos bancos e a primeira avaliação do memorando, e se tivermos uma discussão séria para uma solução para a dívida, então… penso que isso fará repousar de uma vez para sempre o dragão do Grexit”, afirmou o ministro das Finanças grego.

Depois do comissário Moscovici ter referido o final de 2015 como data provável para o início das negociações sobre a dívida grega, que segundo as previsões atingirá os 186% do PIB no próximo ano, Tsakalotos prevê que elas possam ter início a partir de fevereiro, assim que a primeira avaliação esteja concluída.

Extensão dos prazos e prolongamento dos períodos de carência de juros e capital estarão no debate da restruturação da dívida

Já é uma certeza que a extensão dos prazos de pagamento e dos períodos de carência de juros e capital estarão em cima da mesa das negociações, bem como um teto para a despesa anual com a dívida. O líder do Eurogrupo já falou em 15%, o que para Tsakalotos “é um número muito alto se não incluir obrigações do Tesouro [emitidas a curto prazo], mas se as incluir é algo que vale a pena ser considerado. É um tema muito importante”, resume o ministro.

Comentando o compromisso assumido com os credores para que estes façam a monitorização da economia do país nos próximos anos, Tsakalotos entende que “em algum momento os credores terão de decidir se confiam no governo grego. Porque se não confiarem no governo grego e este ficar sob controlo político apertado, o resultado é que nunca sairemos da crise”.

Segurança Social: “Teremos de encontrar poupanças sem cortar mais nas pensões”

Se o peso da dívida no PIB da Grécia é avassalador, o país paga anualmente um serviço da dívida inferior à média europeia, graças aos períodos de carência já garantidos até 2022. A próxima negociação dirá respeito ao período seguinte, em que está previsto que o peso do serviço da dívida aumente bastante, sufocando ainda mais a economia.

A próima missão de Tsakalotos é a de apresentar um pacote de reformas na Segurança Social que consiga cortar a despesa com pensões em 1% do PIB em 2016 sem cortar ainda mais nas pensões dos gregos. “Teremos de encontrar poupanças sem fazer cortes, naturalmente”, diz o ministro à Reuters, sem responder afirmativamente à questão de o conseguir através do aumento das contribuições.

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