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UE ameaça Grécia com suspensão do espaço Schengen

Refugiados. Foto Letft.gr

Segundo o Financial Times, altos responsáveis europeus ameaçaram retaliar Atenas por se recusar a ter estrangeiros a patrulhar as suas fronteiras. Mas o castigo não teria qualquer efeito prático sobre a gestão do fluxo de refugiados, já que a Grécia não tem fronteiras terrestres com nenhum país do espaço Schengen.


A notícia divulgada ontem pelo Financial Times dá conta do mal estar de Berlim e de governos do Leste europeu quanto à gestão do fluxo de refugiados que entra na Europa através da Grécia. As tentativas de enviar uma missão ao abrigo da agência de fronteiras europeia Frontex para as fronteiras gregas foram recusadas nas últimas cimeiras europeias que discutiram o assunto. O governo grego alegou que o mandato dos funcionários do Frontex extravasava em muito o apoio ao registo dos refugiados.

Segundo este diário económico, os responsáveis europeus vão fazer um ultimato a Atenas: ou a Grécia aceita a “oferta” europeia até à próxima cimeira, a realizar em meados de dezembro, ou o país poderá ser suspenso do espaço Schengen.

Os efeitos desta retaliação cairiam sobretudo nos cidadãos gregos, que deixariam de poder entrar noutros países Schengen sem passaporte. Como os refugiados se deslocam por terra e o país não tem fronteiras terrestres com países do espaço Schengen, a suspensão grega não teria qualquer benefício prático no que respeita ao controlo fronteiriço.

Atenas responde às acusações de Bratislava sobre segurança de fronteiras

Na semana passada, o primeiro ministro eslovaco Robert Fico defendeu abertamente a expulsão da Grécia do espaço Schengen. “Não podemos suportar que haja um país membro que abdica publicamente de salvaguardar as fronteiras de Schengen. Assim Schengen não serve para nada”, afirmou o governante da Eslováquia ao parlamento.

A resposta de Atenas ficou guardada para esta terça-feira, com uma nota divulgada pelo porta-voz da diplomacia grega: “O primeiro-ministro da Eslováquia, talvez porque vem de um país que não tem mar nem ilhas, não consegue avaliar corretamente todos os detalhes e particularidades da defesa de fronteiras marítimas, ainda para mais quando essas fronteiras são inundadas com milhares de pessoas necessitadas que estão a fugir do inferno da guerra”.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros grego termina com um convite a Robert Fico a visitar uma das ilhas gregas para observar a situação no terreno e contactar com as autoridades responsáveis antes de formar uma opinião sobre o assunto.

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