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Tsipras fecha acordo energético com Chipre e Israel

Netanyahu, Anastasiades e Tsipras na cimeira de Nicosia

A Grécia quer tornar-se a ponte de entrada na Europa das enormes reservas de gás natural descobertas no Leste do Mediterrâneo. Mas a aproximação a Israel foi recebida com críticas vindas da Palestina.


“Hoje enviamos uma mensagem muito importante: ao unirmos as nossas forças, podemos promover a prosperidade e a estabilidade através de objetivos comuns e do aproveitamento das vantagens da nossa região”, afirmou o primeiro-ministro grego no fim do encontro com os seus homólogos cipriota e israelita.

O acordo prevê a construção de um gasoduto que permita exportar o gás natural das enormes jazidas descobertas nos últimos anos em águas territoriais cipriotas e israelitas para a Europa através da Grécia. E também vai analisar a possibilidade de um cabo submarino para o transporte de eletricidade entre as redes elétricas dos três países. Foi criada uma comissão para avaliar o progresso das medidas agora acordadas, com o compromisso de apresentar resultados concretos no segundo semestre de 2016.

O tema da paz e estabilidade na região também fez parte das declarações finais do encontro, com gregos e cipriotas a prometerem interceder na União Europeia para a reabertura de conversações entre Israel e a Palestina e o reforço das relações com Telavive.

Reforço das relações com Israel incomoda Palestina

Num artigo de opinião publicado esta semana no diário israelita Haaretz, o responsável das relações internacionais da Fatah e antigo responsável pela diplomacia da Palestina, Nabil Sha’ath, refere-se à aproximação entre Atenas e Telavive com preocupação. “Irá a Grécia trair os palestinos?”, questiona o dirigente da Fatah no título do artigo, referindo-se aos “interesses económicos de curto prazo” que podem levar ao afastamento da relação histórica de solidariedade entre a Grécia e Palestina.

Nabil Sha’ath lembra que a Grécia foi um dos maiores aliados da Palestina dentro da União Europeia, mas revela que essa posição está a mudar à medida que avançam os negócios e cooperação com Israel. A prova disso, diz o dirigente da Fatah, foi a reunião de 17 de janeiro que marcou “uma viragem completa” da diplomacia grega, ao tentar “amenizar a linguagem” da condenação dos colonatos israelitas nos territórios ocupados.

No dia em que se encontrou com Netanyahu no Chipre, Alexis Tsipras reafirmou no twitter a amizade que liga a Grécia ao povo da Palestina e a esperança em que os dois estados possam coexistir pacificamente e em segurança.

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