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Credores não se entendem sobre destino do memorando

Lagarde, Moscovici e Dijsselbloem. Foto União Europeia ©

As reuniões entre funcionários da Comissão, BCE e FMI não chegaram a acordo sobre o pagamento das tranches previstas no acordo assinado no verão. Atenas acusa o FMI de fazer novas exigências e diz que não vai além do compromisso assinado em julho.


Segundo a agência Bloomberg, a reunião de segunda-feira entre funcionários dos governos da zona euro, o BCE, Comissão Europeia e FMI foi inconclusiva quanto às medidas para alcançar a meta de um saldo primário de 3.5% nas contas públicas gregas a médio prazo.

O Fundo Monetário Internacional tem uma perspetiva mais pessimista sobre a evolução da economia grega, e defende mais cortes nas pensões e na dívida da Grécia, o que não é aceite pelos credores europeus.

Numa entrevista televisiva esta segunda-feira, Alexis Tsipras apelou ao FMI para que seja realista e sublinhou a necessidade de um consenso entre os credores na base do que foi acordado na cimeira europeia de julho, que culminou o braço de ferro entre gregos e credores.

“Eu estava contra a participação do FMI neste programa, mas tive de aceitá-la para conseguir um acordo”, recordou Tsipras na entrevista à televisão Star, apelando às instituições europeias que obriguem o FMI a aceitar as reformas previstas no memorando. “A primeira avaliação do programa dará luz verde ao pagamento da tranche do empréstimo que irá servir em grande parte para pagar o serviço da dívida. Mas o principal é o crescimento económico”, sublinhou Tsipras, acreditando “após a primeira avaliação e o alívio da dívida, o país vai virar a página”.

Economia contraiu 0.3% em 2015

Também o ministro da Economia George Stathakis veio defender uma rápida conclusão da primeira avaliação, dizendo que “não nos podemos dar ao luxo de um adiamento” e que “não há razão para que não possa ser concluída”.

Stathakis revelou também que uma lei para o desenvolvimento económico está pronta para ser aprovada logo após a luz verde dos credores na primeira avaliação, tendo já recebido “comentários, no geral positivos” por parte da Comissão Europeia, uma vez que se trata de matéria com impacto orçamental.

O instituto nacional de estatísticas grego revelou ontem os números da economia do ano passado. Apesar das duas eleições, um referendo, controlo de capitais e fuga de depósitos, o impacto de um dos anos mais turbulentos para a economia grega ficou bem aquém do que a propaganda dos medida e da oposição previam: o PIB da Grécia caiu apenas três décimas em relação ao ano anterior e recuperou mesmo no último trimestre, mantendo em aberto a perspetiva de crescimento no segundo trimestre deste ano, caso os credores cumpram o acordado em Bruxelas.

Já esta terça-feira, a porta-voz do governo afirmou que o FMI terá de explicar por que insiste em defender medidas que não estão previstas no memorando assinado no verão, numa altura em que os números da economia inscritos nesse programa melhoraram bastante.

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