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Atenas recusa discutir medidas adicionais com avaliação em aberto

Alexis Tsipras no parlamento. Foto Left.gr

É improvável que o Eurogrupo desta semana dê luz verde à primeira avaliação do memorando grego. Atenas recusa mais austeridade do que a prevista no acordo de julho e confia que os números do Eurostat vão mostrar que o saldo primário orçamental do país superou as previsões da troika.


Depois do terremoto provocado pela revelação dos planos do FMI para a bancarrota grega e as suas denúncias da incapacidade europeia para concluir as negociações, as reuniões técnicas prosseguiram nas últimas semanas. Esta quarta-feira há nova reunião em Atenas, com a presença do FMI e das instituições europeias. Em Bruxelas, fonte da Comissão disse à Reuters que pode haver reunião extraordinária do Eurogrupo na próxima semana, caso o acordo seja fechado após a reunião de sexta dos ministros das Finanças da zona euro.

“Nas últimas semanas fizemos avanços substanciais juntamente com as autoridades gregas. No entender da Comissão Europeia, podemos estar perto de concluir a primeira avaliação”, afirmou o vice-presidente da Comissão, Valdis Dombrovskis.

Esta primeira avaliação irá desbloquear não apenas o financiamento acordado no verão passado em Bruxelas, como o início do debate sobre a restruturação da dívida grega. A entrada do FMI neste programa de assistência está condicionada à redução substancial da dívida da Grécia, mas também à imposição de nova dose de austeridade que tem sido recusada pelo governo grego. As medidas que o FMI propõe assentam em previsões económicas mais pessimistas do que as europeias, com Atenas a responder que as previsões do FMI têm sempre falhado desde o início dos memorandos.

“Estarmos hoje a discutir medidas adicionais para o caso do saldo primário orçamental de 2018 não cumprir as metas não só não faz grande sentido, como não é bom para a economia e desestabiliza o clima económico”, afirmou a porta-voz do governo grego, Olga Gerovassili.

Para já, as negociações técnicas resultaram no acordo de conseguir o equivalente a 1% do PIB através do aumento da taxa normal do IVA de 23% para 24%, mantendo a taxa reduzida nos 13%. Governo e credores não se entendem quanto ao limite mínimo de rendimento livre impostos, com o governo a propor cerca de 9100 euros e os credores cerca de 8000 euros.

Tsipras e Merkel ao telefone nas vésperas do Eurogrupo

Esta terça-feira, Alexis Tsipras e Angela Merkel falaram ao telefone sobre as perspetivas para a conclusão da primeira avaliação. Fontes governamentais dizem que o primeiro-ministro grego avisou Merkel para não insistir em medidas adicionais de austeridade, que significariam novos aumentos de impostos.

Para sublinhar que tais medidas não são necessárias, Tsipras chamou a atenção para os dados que serão revelados esta semana pelo Eurostat, que devem confirmar que o saldo primário orçamental grego teve um superavite de 0.5% a 0.7%, em vez do défice de 0.25% previsto nas metas do memorando para 2015.

Também o vice-primeiro-ministro Yiannis Dragasakis, em entrevista à rádio Kokkino 105.5, afirmou-se confiante nos números positivos a revelar pelo Eurostat, mas também no desempenho da economia grega em 2016. Dragasakis insistiu que só depois de fechada a primeira avaliação com as medidas anteriormente previstas é que deve ter início o debate sobre a dívida e as medidas adicionais a tomar caso as metas futuras não sejam cumpridas.

Dragasakis comentou ainda a vontade do governo alemão em que o FMI esteja presente no programa grego, ao mesmo tempo que discorda do FMI sobre a redução da dívida grega. “Um problema nas relações entre eles não se pode transformar num problema nosso”, diz o nº 2 do governo.

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