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Refugiados protestam após visita de ministros da Grécia e Holanda

Incidentes no centro de detenção de Moria, Lesbos.

A visita dos dois ministros responsáveis pelas migrações ao centro de detenção de Moria, na ilha de Lesbos, acabou em confrontos entre os refugiados e a polícia de choque. Esta quarta-feira, 13 refugiados sírios pediram para regressar à Turquia.


Yiannis Mouzalas e Klaas Dijkhoff deslocaram-se esta terça-feira ao centro de detenção de Moria, em Lesbos, numa visita para dar a conhecer ao ministro holandês as condições em que estão detidos os refugiados que esperam pela resposta ao pedido de asilo. Mas o programa da visita não correu como previsto.

Segundo a agência ANA-MPA, os incidentes ocorreram após o ministro grego ter dito a um grupo de cerca de uma centena de crianças que chegaram sem companhia – e estão detidos numa ala separada – que poderiam vir a ser acolhidos noutros centros para menores que estão a ser construídos em vários pontos da Grécia. A promessa de Mouzalas espalhou-se pelo campo e provocou a ira dos refugiados após a saída dos ministros, com vidros partidos e caixotes do lixo incendiados.

Outras fontes ciitadas pela imprensa grega afirmam que o rastilho do protesto foi o rumor de que 400 pedidos de asilo teriam sido rejeitados. Certo é que Mouzalas ainda regressou para tentar acalmar os ânimos, mas foi recebido à pedrada pelos refugiados, que gritavam “Liberdade” e “Abram as fronteiras”. Os incidentes alastraram a outros setores do campo e a polícia interveio com gás lacrimogéneo. O resultado foi mais de uma dezena de feridos.

Reagindo aos incidentes, o ministro justificou a ação policial e promteu uma nvestigação ao ocorrido, mas disse compreender “o aumento da tensão e da raiva” por parte dos refugiados que viram o seu caminho para o norte da Europa cortado e agora vivem sob a ameaça de deportação. Mouzalas afirmou que “a situação no hotspot de Mytilene é boa”, embora “seja um processo doloroso para estas pessoas, que se torna mais difícil ao fim de várias semanas de detenção”. O ministro sublinhou que estes refugiados “não estão detidos em celas ou algo que se pareça, têm liberdade de movimentos dentro do hotspot, com pessoas que lhes fornecem os cuidados mínimos”.

Advogados estarão presentes em permanência em dois centros de detenção

Após um encontro com a Associação de Advogados de Atenas, o ministro das Migrações anunciou o acordo para estabelecer a presença permanente de advogados nos centros de Eleonas e de Moria, onde decorreram os incidentes de terça-feira.

A presença será organizada pela comissão de refugiados e migrantes da associação de advogados, que conta com o apoio do Conselho Europeu de Associações de Advocacia (CCBE), organização que já tinha oferecido apoio legal aos refugiados no centro de detenção de Moria, em Lesbos.

Antes do encontro com o ministro, membros da associação de advogados de Atenas visitaram vários centros de acolhimento de refugiados para prestar apoio jurídico e informar os refugiados dos seus direitos e opções face ao quadro legal em vigor,

Mais 17 pessoas devolvidas à Turquia, 13 sírios pedem para ir também

Esta terça-feira partiram mais dois barcos de Chios e Lesbos em direção à Turquia, no âmbito do acordo UE/Turquia, com 17 pessoas a bordo, quase todas oriundas do Paquistão e de alguns países do norte de África, informa a agência ANA-MPA.

Já esta quarta-feira, um grupo de 13 sírios pediu para regressar à Turquia e assim participar no programa de acolhimento da UE, ao perceberem que estavam encurralados na Grécia e sem hipótese de alcançarem a fronteira para seguir viajem para o norte da Europa.

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