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Eurogrupo: alívio da dívida grega só depois das eleições alemãs

Schäuble e Dijsselbloem no Eurogrupo de 24 de maio.

Numa reunião que durou até à madrugada de hoje, o FMI acabou por entrar no memorando. Mas a condição que impôs para tornar sustentável a dívida da Grécia ficou adiada para depois das eleições alemãs.


Os representantes do FMI tinham repetido que sem o alívio da dívida grega que permitisse a sua sustentabilidade, não poderiam participar no terceiro memorando. Mas esta quarta-feira à noite voltou a ser Schäuble a levar a melhor, ao adiar a discussão das medidas concretas para cortar a dívida grega para o fim do memorando, em meados de 2018.

Nas declarações finais, Poul Thomsen afirmou estar satisfeito por ver todos os ministros das Finanças da zona euro “a reconhecerem que a dívida grega é insustentável”. “Saudamos o reconhecimento de que a Grécia precisa de um alívio da dívida para torná-la sustentável”, disse o representante do FMI na reunião.

Ao longo da tarde e da noite, Thomsen interrompeu a reunião por várias vezes para consultas com o fundo sediado em Washington. O encontro só acabou ao início da madrugada, com Thomsen a prometer recomendar a sua aprovação pelo Fundo, mas ainda dependente da avaliação do FMI sobre a concretização das medidas sobre a dívida.

Nas declarações finais, o líder do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, e o comissário europeu dos assuntos económicos, Pierre Moscovici, saudaram o acordo e o esforço que o tornou possível. Respondendo às questões dos jornalistas que confrontavam Poul Thomsen com o recuo do FMI sobre a dívida, Dijsselbloem corrigiu essa leitura, dizendo que “se me dissessem há um mês atrás que os governos europeus iriam tão longe no que toca ao alívio da dívida, eu não acreditava”. O líder do Eurogrupo preferiu destacar que a concretização das medidas está ainda em aberto e poderá ser adaptada à medida das necessidades para tornar sustentável a dívida grega.

Tsakalotos: “Parte desta tranche vai contrabalançar efeitos recessivos do memorando”

À saída da reunião do Eurogrupo, o ministro das Finanças grego saudou a luz verde à primeira avaliação do memorando e o desbloquear da tranche de 10.3 mil milhões de euros. Para além do pagamento dos compromissos financeiros externos, parte desta verba “irá amortecer a natureza recessiva das medidas que já tomámos”, explicou Euclid Tsakalotos aos jornalistas.

“No verão concordámos em fechar a primeira avaliação e discutir a dívida a seguir. Mas conseguimos juntar tudo na mesma fase. Este é o início do fim da recessão”, prevê o ministro das Finanças da Grécia.

A declaração do Eurogrupo prevê o pagamento dos 10.3 mil milhões em duas tranches, após uma revisão da legislação aprovada nas últimas semanas, não pondo de parte novas mexidas nas leis sobre venda de crédito malparado ou reforma das pensões. 7.5 mil milhões deverão ser pagos em junho e o restante após o verão.

O que muda na dívida grega

Em termos gerais e sem quantificar, o Eurogrupo separou três momentos para aplicar medidas sobre a dívida grega: a curto prazo (até 2018), serão reduzidas as taxas de juro pagas pelos empréstimos das entidades europeias; a médio prazo, dependendo do sucesso do memorando que termina em 2018, a Grécia poderá usar algumas verbas que estão bloqueadas desde 2014, relativas aos lucros com a dívida e poderá usar o dinheiro que estava reservado para a recapitalização dos bancos – apenas 5 mil dos 25 mil milhões foram usados para esse efeito – para recomprar dívida a juro mais baixo e maior maturidade; e a longo prazo, o eurogrupo compromete-se com um mecanismo de contingência que prevê medidas para assegurar a sustentabilidade da dívida grega.

Na prática, em meados de 2018, o Mecanismo de Estabilidade Europeu e o FMI farão uma nova avaliação da dívida grega e regressará o debate sobre as medidas a tomar. Com este calendário, o Eurogrupo evita que a questão da dívida da Grécia seja um tema determinante nas eleições alemãs previstas para o próximo ano e o governo de Berlim poderá dizer aos eleitores que impediu o corte na dívida grega.

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