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Tsipras antecipa “nova era” que afaste incerteza económica na Grécia

Tsipras na cerimónia de arranque das obras do gasoduto Trans-Adriático

Na inauguração das obras do mega-gasoduto Trans-Adriático, a poucos dias da reunião do Eurogrupo para fechar a primeira avaliação, o primeiro-ministro grego diz que a Grécia vai entrar numa nova era que porá de lado a instabilidade e a incerteza dos últimos anos.


“Com a resolução do tema da dívida, a instabilidade e incerteza serão definitivamente afastadas, permitindo à economia grega mostrar o seu potencial produtivo e levá-la a uma nova era”, afirmou Alexis Tsipras na cerimónia que marcou o arranque da construção do mega—gasoduto Trans-Adriático em Salónica.

O primeiro-ministro grego repetiu que a conclusão da avaliação será feita sem se afastar do acordo do verão passado com os credores e sem a necessidade de medidas adicionais. Com o pagamento da tranche prevista, a Grécia irá reembolsar as dívidas em atraso e conta poder aceder em breve ao programa de “quantitative easing” do BCE, reduzindo ainda mais a pressão do financiamento à economia e ao sistema financeiro do país. A redução dos pagamentos do serviço da dívida permitirá, garantiu Tsipras, libertar dinheiro para aumentar o investimento e o emprego.

“Pipeline Trans-Adriático põe a Grécia no mapa da energia”

Este projeto de 3500 quilómetros servirá para transportar 10 mil milhões de metros cúbicos de gás anuais desde o Azerbaijão para a Europa, diversificando as fontes de energia, podendo no futuro duplicar essa capacidade. Dos cerca de 800 quilómetros em solo europeu, 580 estão na Grécia, que participa neste investimento junto com a Itália e a Albânia. Se tudo correr como previsto, as obras estarão concluídas em 2019.

“Com um investimento de mais de 1500 milhões de euros, é um dos maiores investimentos estrangeiros na Grécia, colocando pela primeira vez o país – em termos de construção e não apenas planeamento – no mapa da energia e dos pipelines”, congratulou-se Tsipras, destacando a criação prevista de 8 mil empregos e também grandes encomendas à indústria pesada grega para o fornecimento dos materiais.

O primeiro-ministro grego falou ainda dos 32 milhões de euros inscritos em programas de responsabilidade social para compensar as populações afetadas pela construção, quase o triplo do investimento inicialmente previsto. Essa era uma das razões para as críticas do Syriza ao projeto na sua fase inicial. Reagindo à assinatura do acordo, o dissidente do Syriza e ex-ministro da Energia Lafazanis criticou Alexis Tsipras por ter interrompido as negociações com agricultores e comunidades afetadas pelas obras acerca das compensações por expropriação ou alterações ao trajeto por razões ambientais.

Na cerimónia participaram governantes de nove países e o vice-presidente da Comissão Europeia responsável pela União Energética. Maroš Šefčovič referiu-se a esta ligação como “o maior projeto de construção do nosso tempo” e “um ponto de viragem em relação aos mercados centralizados com apenas um fornecedor para diversos mercados de energia”, coordenados a nível regional e com benefícios políticos para todas as partes envolvidas.

Também o enviado especial dos EUA para Assuntos de Energia saudou o projeto como um contributo para a estabilidade na região e apelou a que a sua construção continue a ser uma prioridade europeia.

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