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Ataque racista em Quios gera indignação contra a polícia

Refugiados em protesto no campo de Souda, na ilha de Quios

Na sequência de um protesto dos refugiados presos na ilha de Quios, elementos da Aurora Dourada perseguiram e agrediram refugiados, voluntários e pessoal médico, ante a passividade policial.


Os refugiados protestaram esta segunda-feira contra a demora no processamento dos seus pedidos de asilo. Trata-se de cerca de mil pessoas que chegaram à Grécia já depois da implementação do acordo UE/Turquia, o que significa que poderão ser devolvidas aos campos de refugiados na Turquia caso vejam indeferidos os pedidos de asilo.

Há quase dois meses à espera e sem perspetivas de poder sair da ilha, os refugiados incendiaram alguns caixotes do lixo dentro do campo, obrigando à presença da polícia, bombeiros e emergência médica.

Logo após os incidentes, um grupo de conhecidos apoiantes da Aurora Dourada, armados de bastões, perseguiram os refugiados que encontraram nas ruas, agredindo adultos, crianças e o pessoal médico no local. O facto das agressões terem ocorrido mesmo em frente ao destacamento policial, que nada fez para as impedir, motivou reações de indignação por parte das delegações locais do Syriza, Unidade Popular e Antarsya.

Enquanto o partido do governo aponta responsabilidades à ação policial e também à imprensa local pela “campanha de mentiras e terror” que veicula a propósito dos refugiados ali detidos, os partidos da esquerda extraparlamentar lembram também a responsabilidade do governo ao assinar um acordo “vergonhoso” com a Turquia que coloca os refugiados num beco sem saída.

Vários incidentes têm acontecido todos os dias em vários campos de refugiados, não só devido a protestos mas também a conflitos entre refugiados de várias nacionalidades. A incerteza e o desespero têm criado condições para a multiplicação de conflitos, que na semana passada acabaram com seis feridos na ilha de Samos e mais de dez em Lesbos.

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