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Oito canais na corrida para quatro licenças de televisão

Esta é uma semana decisiva na Grécia para o cumprimento da promessa de acabar com o “triângulo da corrupção” entre os media, os bancos e os políticos. Ao fim de 30 anos de impunidade, oito candidatos disputam quatro licenças para emissão de tv em canal aberto


A abertura da televisão aos operadores privados nos anos 1980 na Grécia resultou numa autêntica lei da selva mediática no país. Os operadores televisivos, com ligações aos oligarcas, à banca privada grega e aos dois partidos que monopolizaram o sistema político até 2015, nunca pagaram pelas suas licenças e acumularam prejuízos de centenas de milhões de euros.

Uma das promessas do Syriza nas últimas eleições foi a de acabar com esta impunidade, a que chama de “triângulo da corrupção” através da abertura de um concurso. Como se esperava, a decisão foi criticada com veemência não só por parte dos atuais barões dos media, como da direita que tem ligações próximas a vários canais privados e que em 2013 decidiu fechar o canal público de televisão, entretanto reativado pelo primeiro governo do Syriza.

Mas apesar das tentativas da Nova Democracia para travar o processo do concurso das licenças de televisão, tanto os tribunais gegos como a própria Comissão Europeia deram razão ao governo de Atenas quanto à legalidade das regras do leilão que agora termina. “Este concurso dará licenças legais pela primeira vez na Grécia e creio que a identificação da Nova Democracia com alguns interesses particulares é muito negativa”, afirmou o ministro Nikos Pappas.

Oito candidatos disputam quatro licenças

A justificação para a abertura de apenas quatro licenças (menos que os canais hoje em funcionamento) foi justificada pelo tamanho do mercado publicitário grego, que sofreu bastante nos últimos anos, e pela comparação com outros países europeus. Dos onze candidatos iniciais, oito passaram à fase final do concurso. Entre os candidatos desclassificados está a MegaTV, que foi acusada de manipulação e chegou a ser multada por emitir imagens falsas para dar a ideia de pânico junto às caixas multibanco.

O preço-base deste leilão é de três milhões de euros, com licitações de 500 mil euros. Os representantes de cada candidato estão fechados na respetiva sala, sem acesso à internet ou comunicações com o exterior. As ofertas são feitas em várias fases, eliminando progressivamente os candidatos que apresentem ofertas mais baixas. Prevê-se que os quatro escolhidos sejam conhecidos esta quinta-feira.

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