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Credores suspendem alívio da dívida em retaliação pelo apoio aos pensionistas

Tsakalotos e Dijsselbloem. Foto União Europeia ©

O anúncio da reposição do 13º mês aos pensionistas mais pobres da Grécia foi mal recebido em Berlim e Bruxelas. Tsipras insiste que “todos devem respeitar os enormes sacrifícios que o povo grego tem feito em nome da Europa”.


O governo grego vai mesmo avançar com a reposição do 13º mês aos pensionistas abaixo dos 850 euros, uma medida prevista para ser aprovada pelos deputados esta quinta-feira, anunciou o ministro das Finanças Euclid Tsakalotos, após receber a notícia da suspensão das medidas de alívio da dívida grega por parte do Mecanismo Europeu de Estabilidade, enquanto os credores avaliam se a medida do governo é compativel com o memorando.

“Iremos explicar a todos os que nos perguntarem que o apoio aos pensionistas anunciado pelo governo está em linha com o enquadramento do memorando e creio que irão entender”, disse o ministro aos jornalistas esta quarta-feira, na véspera de partir para Berlim. Foi justamente da Alemanha que vieram as maiores críticas à medida anunciada na televisão por Alexis Tsipras, que irá custar cerca de 600 milhões de euros, valor retirado ao excedente orçamental de 2400 milhões obtido este ano pelas finanças públicas gregas.

“Tudo o que fazemos está em linha com o que foi acordado”, afirmou o primeiro-ministro grego esta quarta-feira, no fim de uma reunião com autarcas. “A Grécia está a lidar com uma série de crises europeias e essa realidade deve ser respeitada por todos. Apelamos aos nossos parceiros que respondam pelos seus compromissos”, prosseguiu Alexis Tsipras, anunciando uma nova medida que não vai agradar a Wolfgang Schäuble: o alargamento das refeições grátis a mais 30 mil alunos em 2017, para combater o abandono escolar e ajudar as famílias desempregadas.

O custo desta medida está avaliado em 11.5 milhões de euros, e junta-se aos 17 milhões da outra medida anunciada por Tsipras na semana passada: o adiamento da subida do IVA nas ilhas mais afetadas pela crise dos refugiados.

“Creio que toda a gente deve respeitar o povo grego, que nos últimos sete anos fez sacrifícios gigantescos em nome da Europa. Carregámos o peso da crise dos refugiados. Foi em nome da Europa que implementámos nos últimos anos uma política de austeridade extremamente dura. Isso tem de ser respeitado por todos”, afirmou Alexis Tsipras.

Poul Thomsen volta a irritar gregos… e europeus

Os últimos dias de negociações sobre a segunda avaliação do memorando ficaram também marcados pelas declarações de responsáveis do FMI no blogue da instituição. Desta vez, Poul Thomsen e Maurice Obstfeld escreveram um artigo intitulado “O FMI não está a pedir mais austeridade à Grécia”, respondendo às acusações de que é essa a posição do fundo nas negociações.

Mas no mesmo artigo, os autores não escondem que querem ver ainda mais cortados os salários e as pensões dos gregos, ao repetirem que o sistema de pensões é dos mais generosos da Europa e que o imposto de rendimento deixa de fora metade da população.

Os protestos contra a posição dos economistas-chefes do vieram ao mesmo tempo de Atenas e de Bruxelas. Em declarações ao jornal Real News, Euclid Tsakalotos acusou o fundo de “estar ausente da negociação e não fazer nada para defender a sua conclusão de que a austeridade não pode ser solução” ou para “pressionar os europeus a juntarem-se à sua posição de que é preciso um maior alívio da dívida ou que um objetivo de 3.5% de saldo orçamental não é possível”.

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